Eu vejo o que não quero ver
Não reconheço nada e ninguém
Não sou a mesma, nem sou outra também
Sou vazio à inércia dos pensamentos
Sou miúda por dentro e por fora sou sombra
Alguém me afronta, alguém me afronte
Mostre horizontes nos montes do céu
Azul tão negro
Sinto bichos nos cabelos
Eu sou um tédio louco (na solidão)

Mas se você quiser falar das suas dores
Eu lhe dou flores pra você sorrir
Mas se você quiser falar das suas dores
Me pinto em cores pra você sorrir

E nessa alienação de caminhar feito peão de xadrez
Prendendo gritos profundos
Vestida de moça importante que aguarda a sua vez
Me pego sem entender a razão da existência de coisa alguma
Sem emoção, uma estátua lúcida em profissão
Alguém me afronta, alguém me afronte!
Mostre horizontes nos montes do céu
Azul tão negro
Sinto bichos nos cabelos
Eu sou um tédio louco (na solidão)

Mas se você quiser falar das suas dores
Eu lhe dou flores pra você sorrir
Mas se você quiser falar das suas dores
Me pinto em cores pra você sorrir

Pra você sorrir
Eu te compro um batom, vem pintar a minha face
Te acompanho na cozinha pra assistir o amor fritado em carne
Sopro no olho e no café; beijo bochecha, boca e pé
Sinto dizer, mas já é tarde
Sua companhia me desperta aversão!

Alguém me afronta!
Alguém me afronte!
Mostre horizontes nos montes do céu
Azul tão negro
Sinto bichos nos cabelos
Eu sou um tédio louco (na solidão)

Mas se você quiser falar das suas dores
Eu lhe dou flores pra você sorrir
Mas se você quiser falar das suas dores
Me pinto em cores
Pra você

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